Literatura Científica
Conteúdo resumido e comentado dos Artigos Científicos mais interessantes e recentes na área de Alimentação e Saúde
Café da manhã pode alterar o apetite e a saúde intestinal
Um estudo encontrou diferentes resultados para um café da manhã rico em proteínas promovendo redução no apetite, já um café rico em fibras, pode melhorar a saúde intestinal: ambos podem promover perda de peso e benefícios metabólicos.
Os resultados indicaram que apesar de haver uma ingestão energética reduzida de ambas as refeições o café rico em proteínas foi mais capaz de manter a saciedade, enquanto a refeição rica em fibras resultou em menor saciedade pós-prandial.
Fatores como o momento da ingestão de proteínas, bem como o tipo de proteína, podem influenciar diferencialmente o controle do apetite. A fibra induz a saciedade por aumentar a viscosidade e o inchaço no intestino, estes efeitos fisiológicos contribuem para a sensação de plenitude após uma refeição.
Em outro estudo, foi realizada a comparação entre a quantidade das refeições, entre uma dieta com maior ingestão de energia pela manhã versus uma dieta com maior ingestão à noite.
Ambas as dietas produziram perda de peso semelhante, sem diferenças no metabolismo energético. A ingestão energética maior pela manhã resultou em menor apetite subjetivo diário e fome.
29/07/2026


Probióticos: quando ajudam e quando atrapalham
Os benefícios à saúde dos probióticos já estão bem documentados para algumas indicações, enquanto as evidências para outros usos permanecem inconsistentes. Além disso, eles podem oferecer alguns riscos para pacientes vulneráveis.
Na prevenção de diarreia associada ao uso de antibióticos, muitos estudos (meta-análises) mostram bons resultados, eles variam segundo o medicamento usado e o tipo de probiótico. Já em gastroenterite aguda em crianças, meta-análises indicam que certos probióticos podem encurtar a duração da doença e, às vezes, reduzir a frequência das fezes.
Meta-análises mostraram melhorias na doença hepática crônica e em vaginose bacteriana como complemento à antibioticoterapia, reduzindo as taxas de recorrência.
A American Gastroenterological Association chegou à conclusão para vários distúrbios gastrointestinais: as evidências são insuficientes ou inconsistentes para muitas indicações, incluindo a síndrome do intestino irritável.
Fatores de risco incluem grave imunossupressão, cateteres venosos centrais, doença subjacente grave ou danos significativos na mucosa. Nestas condições, o que parece ser um suplemento inofensivo pode tornar-se perigoso.
Para S. boulardii, revisões sistemáticas têm fungemia documentada, particularmente em ambientes de cuidados intensivos. Infecções bacterianas da corrente sanguínea causada por cepas probióticas, como Lactobacillus também foram relatadas. Estas são raras, mas ocorrem com mais frequência em pacientes com comorbidades graves ou imunossupressão significativa. Em pacientes com pancreatite aguda, o tratamento probiótico não reduziu as complicações infecciosas e foi associado ao aumento da mortalidade.
Os probióticos são um componente terapêutico sensato em indicações selecionadas, mas apenas quando escolhidos com atenção à cepa e indicação. O erro mais comum é usar probióticos sob a suposição de que eles são simplesmente “bons para o intestino” sem uma avaliação benefício-risco estruturada.
27/07/2026
Benefícios cardiometabólicos de dormir em jejum
O jejum noturno, iniciado três horas antes de dormir, levou a melhoras significativas em medidas cardiometabólicas, incluindo pressão arterial noturna, queda na frequência cardíaca e regulação da glicose, segundo resultados de um pequeno, mas promissor, estudo.
Os achados destacaram que “não é apenas quanto e o que se come, mas também quando se come, em relação ao sono, que influencia os benefícios fisiológicos da alimentação com restrição de horário”, afirmou a autora principal.
O consumo de alimentos no fim do dia, sobretudo próximo ao horário de dormir, está associado a diversos efeitos adversos à saúde, como ganho de peso, resistência à insulina e piora da regulação glicêmica. Por outro lado, o jejum noturno e a alimentação com restrição de horário têm benefícios reconhecidos para a saúde cardiometabólica.
23/07/2026


Para Perda de peso após a Menopausa, a chave é a fonte proteica
O controle de peso pós-menopausa pode ser difícil de navegar, mas de acordo com um novo estudo, a redução na ingestão de proteína animal e o aumento na ingestão de proteína vegetal estavam associados ao aumento da perda de peso em mulheres após a menopausa.
“As mulheres não precisam necessariamente aumentar a ingestão total de proteínas. Em vez disso, substituir a proteína animal por proteína vegetal de alimentos como feijão, lentilha, soja e grãos integrais pode ajudar a conseguir um peso corporal saudável, ao mesmo tempo que proporciona benefícios cardiometabólicos adicionais.” disse o autor.
A composição de aminoácidos também pode influenciar os resultados metabólicos, a restrição de leucina, histidina, e a metionina (aminoácidos encontrados em proteínas animais) correlacionou-se com melhorias na composição corporal.
No estudo, cada deslocamento de 16,2 g a menos de proteína animal e 12,7 g a mais de proteína vegetal por dia foi associado a 1 kg de perda de peso.
As explicações potenciais por trás dos efeitos benéficos incluem a menor densidade energética e o maior teor de fibras dos alimentos proteicos vegetais, que podem promover saciedade, bem como diferenças na composição de aminoácidos.
21/07/2026
O que sua pele pode dizer sobre a sua Nutrição
Pele seca, áspera ou escamosa
Pode estar associada à menor ingestão de ácidos graxos essenciais, vitamina A ou zinco. Esses nutrientes ajudam a manter a barreira da pele e apoiam a renovação celular. Alimentos de apoio: laranjas e amarelos, como batata-doce e cenoura, para obter beta-caroteno, junto com alimentos ricos em ômega 3, como castanhas, chia, sementes de linhaça e peixes gordurosos. Sementes de abóbora e leguminosas podem ajudar a fornecer zinco.
Rachaduras nos cantos da boca
Esses sinais podem estar associados a insuficiência de vitaminas B2, B6 e B12. Esses nutrientes estão envolvidos na energia celular e na reparação dos tecidos.
Alimentos de apoio: folhas verde escuro, banana, ovos, lácteos, leguminosas e grãos integrais oferecem um espectro de vitaminas B.
Pele pálida ou olheiras
Pode sugerir baixo nível de ferro ou ingestão insuficiente de proteínas, ambos importantes para o transporte de oxigênio e integridade dos tecidos.
Alimentos de apoio: opções ricas em ferro incluem lentilhas, espinafre, carnes e sementes de abóbora. Combiná-los com alimentos ricos em vitamina C, como frutas cítricas ou pimentões, pode aumentar a absorção.
Contusões fáceis ou reparação mais lenta da pele
Isso pode estar relacionado a um baixo nível de vitamina C ou vitamina K, que desempenham um papel na formação de colágeno e na integridade vascular.
Alimentos de apoio: frutas de cores vivas, como frutas vermelhas, kiwi e frutas cítricas, fornecem vitamina C, enquanto folhas verdes como couve e rúcula oferecem vitamina K.
Erupções ou pele congestionada
Pode refletir uma combinação de fatores, incluindo equilíbrio glicêmico, inflamação e possivelmente insuficiência de zinco, vitamina A, selênio ou ômega 3.
Alimentos de apoio: vegetais ricos em fibras, coloridos e gorduras saudáveis. Reduzir o excesso de açúcares refinados e incorporar alimentos como abacate, sementes de chia e folhas verdes pode ajudar a manter o equilíbrio.
20/07/2026

Propriedades do óleo de coco
O óleo de coco tem uma longa história de uso da medicina tradicional na China e na Índia e na preparação de alimentos. É composto principalmente de ácidos graxos saturados, incluindo ácido cáprico (7%), caprílico (8%), gálico, láurico (49%), linoleico (2%), mirístico (18%), oleico (6%), palmítico (8%), esteárico (2%) e ácidos fenólicos, bem como triglicerídeos de cadeia média, polifenóis, ferro, e vitaminas E e K.
É conhecido por ser anticancerígeno, antidiabético,antiinflamatório, antimicrobiano, e por sua atividade antioxidante, hipocolesterolêmica e hidratante da pele.
O monoglicerídeo monolaurina, derivado do ácido láurico, tem notáveis efeitos antibacterianos contra Propionibacterium acnes, Staphylococcus aureus, Staphylococcus epidermidis, Pseudomonas aeruginosa, Escherichia coli, Proteus vulgaris, e Bacillus subtilis.
Um estudo realizado por Meliala e colegas mostrou que o óleo de coco virgem e óleo de coco virgem hidrolisado melhoraram as expressões proteicas MMP-9, PDGF-BB e TGF-beta-1, sugerindo sua atividade em cicatrização feridas. Eles notaram que a versão hidrolisada era mais ativa.
Foi relatado que o óleo de coco virgem fornece efeitos emolientes e condicionadores de cabelo, contribui também para o tratamento de queda cabelo por sua atividade antioxidante, antiinflamatória, antimicrobiana e imunomoduladora.
Em outro estudo, Kim e colegas mostraram os efeitos do extrato de coco cultivado na pele humana exposta à radiação ultravioleta B. Amostras de pele tratadas com o extrato evidenciaram expressão elevada de componentes que auxiliam no fornecimento de proteção à pele. A expressão do marcador inflamatório também foi diminuída e a expressão de colágeno e hialuronano sintase-3 aumentou no grupo tratado. Os autores concluíram que o extrato de coco cultivado melhorou as funções de barreira do estrato córneo e proporcionou atividade antiinflamatória — papéis que atribuíram aos abundantes polifenóis e ácidos graxos encontrados no coco.
Artigo no link>> 20/07/2026


Crononutrição:
Componentes de alimentos com efeitos positivos nos ciclos circadianos
A importância do relógio circadiano na manutenção da saúde humana é agora amplamente reconhecida. Relógios desregulados podem ser uma causa comum de doenças relacionadas à idade e síndrome metabólica. A melatonina e os glicocorticóides (das glândulas suprarenais) são dois exemplos da manifestação do relógio circadiano.
Embora esses relógios possam ser aprimorados e estabilizados por estratégias não invasivas, como fototerapia, dieta restrita e exercícios, compostos sintéticos e naturais são futuros candidatos na medicina circadiana, para ajudar a melhorar os processos regulados pelo relógio e tratar doenças de desalinhamento do relógio. Foi relatado que muitos compostos fitoquímicos, como flavonóides, alcalóides, polifenóis e melatonina, têm um efeito regulador na expressão de genes ligados ao relógio circadiano.
Entre eles destacam-se: a quercetina (da cebola, maçã e uvas) exerce seus efeitos pela via GABAérgica responsável pelo sono e melhora da dor. A principal catequina (EGCG) encontrada no chá verde, pareceu regular as vias de sinalização celular no sistema nervoso central que estão ligadas aos ritmos diurnos, o efeito regulador da EGCG comprovou-se nos distúrbios metabólicos do relógio circadiano resultantes de uma dieta rica em gordura/alto teor de frutose, e observou-se que a administração de EGCG melhorou o declínio dependente da dieta na função circadiana.
As proantocianidinas (do cacau, uvas, cranberry) têm um efeito regulador no metabolismo da glicose e dos lipídios no fígado, ajustando o ritmo circadiano. A luteolina, um composto conhecido por ter capacidade neuroprotetora, também tem a capacidade de promover o sono, ela se acumula na casca de frutas cítricas, é usada para acalmar e no tratamento da indigestão através da promoção da motilidade gastrointestinal, também atua através da modulação dos relógios circadianos com aumento de atividade ao amanhecer e ao anoitecer, ativa genes metabólicos controlados pelo relógio que estão envolvidos na sinalização da insulina e na função mitocondrial.
Artigo no link >> 08/06/2026
Probiótico encontrado no kimchi ajuda na eliminação de nanoplásticos
Os nanoplásticos (NPs) são cada vez mais prevalentes e representam riscos potenciais para a saúde. A bactéria derivada de alimentos Leuconostoc mesenteroides CBA3656 exibiu alta eficiência de biossorção de NPs. Sob fluido intestinal simulado e também em estudos in vivo as experiências demonstraram uma excreção fecal significativamente melhorada de NPs.
Artigo original (link) >> 05/06/2026

Estratégias Nutricionais na Síndrome do Intestino Irritável
O padrão alimentar ocidental — muitos aditivos em alimentos altamente processados e uma elevada percentagem de gorduras saturadas parece
desempenhar um papel importante no desenvolvimento
de doenças inflamatórias intestinais (DII).
Suspeita-se que os aditivos influenciam o microbioma, promovem a disbiose
e podem afetar a função de barreira. Como os emulsificantes, que mostraram
aumentar a permeabilidade intestinal.
Para prevenção, a "Diretriz S3 Nutrição Clínica em DII (link)” da Sociedade Alemã de Medicina Nutricional recomenda uma
dieta rica em vegetais, em ácidos graxos ômega‑3 e pobre em ácidos graxos ômega‑6, o que está associado a um menor risco de desenvolver DII.
A diretriz aponta que a desnutrição ocorre frequentemente, especialmente deficiência de proteínas e anemia causada por deficiências de ferro e folato, mas também de vitamina B12.
A dieta com baixo teor de FODMAP reduz a dor abdominal, o inchaço e a diarreia, pode ser considerada apenas a curto prazo,
já que é restritiva e pode piorar a desnutrição.
A dieta mediterrânea é adequada para manter a remissão metade da ingestão diária deve vir mais de vegetais do que frutas,
um quarto de alimentos ricos em proteínas e o quarto restante de carboidratos, de preferência grãos integrais.
04/06/2026

Nem todas as fibras são iguais
As fibras, encontradas principalmente em frutas, vegetais e grãos, foram associadas a menores riscos de doença arterial coronariana, acidente vascular cerebral, hipertensão, obesidade, diabetes e até câncer de cólon, gástrico e de mama.
No entanto, nem todas as fibras são iguais. Dependendo da sua composição, diferentes tipos de fibras conferem benefícios distintos à saúde e influenciam a microbiota intestinal de diferentes maneiras.
Fibras solúveis - saúde cardiovascular: farelo de aveia, castanhas, sementes, feijões, frutas cítricas, psyllium, cevada, ervilha, metilcelulose
Fibras insolúveis - saúde digestiva: farelo de trigo, grãos integrais, aipo, couve, uvas, tomates, batatas, cascas de frutas
Artigo original (link) >> 04/06/2026
https://www.medscape.com/viewarticle/are-processed-plant-based-proteins-heart-healthy-2026a1000euk
https://www.medscape.com/viewarticle/how-plant-forward-are-recent-dietary-guidelines-2026a1000f5f
https://www.medscape.com/viewarticle/protein-and-creatine-supplements-are-no-longer-niche-2026a1000kqn
https://www.medscape.com/viewarticle/creatine-supplementation-brain-health-worth-try-2026a1000kuz
https://www.medscape.com/viewarticle/intersection-between-gut-and-spine-health-2026a1000ai0?
https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12062175/
https://www.medscape.com/viewarticle/coffee-and-gi-disorders-its-complicated-2026a100079i?
https://ajcn.nutrition.org/article/S0002-9165(25)00328-4/fulltext
https://www.medscape.com/viewarticle/diet-and-cancer-heres-what-i-tell-patients-2026a10005fp?
https://www.medscape.com/viewarticle/three-major-studies-tie-healthy-midlife-diet-lower-risk-2026a10006fx?ecd=a2a
https://www.medscape.com/viewarticle/global-study-supports-meat-free-diets-cancer-prevention-2026a10006do?
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